O Mercado Livre acelerou sua estratégia de expansão logística no Brasil ao fechar uma nova negociação para incorporar dois ativos operados pela Loggi, localizados em Cajamar, na Grande São Paulo, e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A movimentação reforça o plano da companhia de ampliar sua capacidade de entregas e fortalecer a eficiência operacional em regiões consideradas estratégicas para o e-commerce nacional.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Globo, a operação inclui não apenas a infraestrutura física e os equipamentos instalados nas unidades, mas também a transferência dos contratos de locação de longo prazo vinculados aos imóveis. As duas regiões possuem localização privilegiada para distribuição de mercadorias, permitindo maior agilidade nas entregas para os maiores centros consumidores do país.
A nova aquisição ocorre poucas semanas após o Mercado Livre investir R$ 40 milhões em ativos instalados no centro de distribuição da Sequoia, localizado no Campus Mangels, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Entre os equipamentos adquiridos está o Mega Sorter Damon, sistema automatizado de triagem capaz de acelerar o processamento de encomendas e aumentar a produtividade logística da empresa.
O avanço sobre ativos estratégicos da Loggi e da Sequoia demonstra a intensificação da disputa no setor logístico brasileiro, especialmente em um cenário de crescimento contínuo do comércio eletrônico. O Mercado Livre busca ampliar sua autonomia operacional e reduzir custos de transporte, fortalecendo sua posição diante da concorrência de gigantes nacionais e internacionais do varejo digital.
A expansão faz parte do maior ciclo de investimentos já anunciado pela companhia no Brasil. Em 2026, o Mercado Livre confirmou um aporte recorde de R$ 57 bilhões no país, valor 50% superior aos R$ 38 bilhões investidos em 2025. O foco dos recursos será direcionado para logística, marketplace e serviços financeiros, áreas consideradas essenciais para sustentar o crescimento acelerado da plataforma.
Dentro desse plano, a empresa pretende abrir 14 novos centros de distribuição no modelo fulfillment, ampliando sua estrutura de 28 para 42 unidades espalhadas pelo território nacional. O objetivo é acelerar prazos de entrega, melhorar a experiência dos consumidores e aumentar a capacidade de atendimento aos vendedores parceiros que utilizam a infraestrutura logística da companhia.
Além da expansão física, o Mercado Livre também anunciou a criação de 10 mil novos empregos no Brasil. Com isso, a companhia projeta ultrapassar a marca de 70 mil funcionários no país até o fim do período de expansão. As contratações devem se concentrar principalmente nas áreas de logística, tecnologia e serviços financeiros, setores estratégicos para a operação da empresa.
O Brasil segue como o principal mercado do Mercado Livre na América Latina. Segundo dados divulgados pela companhia, o país foi responsável por 52,6% da receita total do grupo em 2025, alcançando receita líquida de R$ 84,5 bilhões. O desempenho reforça a importância do mercado brasileiro para os planos de crescimento da empresa e explica o forte ritmo de investimentos em infraestrutura logística e inovação tecnológica.
Com a incorporação de novos ativos e a ampliação da rede de distribuição, o Mercado Livre fortalece sua posição como uma das maiores potências do e-commerce e da logística no Brasil, apostando em velocidade de entrega, eficiência operacional e expansão de serviços para sustentar sua liderança no setor.