A publicidade digital no Brasil atingiu um novo nível de sofisticação em 2026. Em um mercado que movimentou R$ 42,7 bilhões em 2025, segundo dados do IAB e do Ibope, as marcas passaram a enfrentar um desafio mais complexo do que simplesmente alcançar milhões de usuários: entender o contexto de cada consumidor. Com 69% dos investimentos publicitários destinados aos smartphones, o celular se consolidou como a principal tela de influência na jornada de compra, tornando a personalização um fator decisivo para o sucesso das campanhas.
Uma pesquisa realizada pela Siprocal em parceria com o Estadão mostra que o consumidor brasileiro está mais receptivo à publicidade quando percebe utilidade e relevância nas mensagens exibidas. O levantamento aponta que 72% dos entrevistados reconhecem que os anúncios podem influenciar suas decisões de compra, enquanto 75% afirmam já ter pesquisado produtos após receberem publicidade no smartphone. Os números reforçam uma mudança importante no comportamento do público: o excesso de exposição já não garante resultados, mas campanhas contextualizadas e alinhadas aos interesses reais do usuário geram mais impacto e engajamento.
A personalização aparece como um dos pilares centrais dessa transformação no marketing digital. Segundo a pesquisa, 68% dos consumidores consideram importante receber anúncios adaptados aos seus interesses e hábitos de navegação. Esse tipo de comunicação também fortalece o reconhecimento das marcas, já que 57% dos entrevistados disseram se lembrar de campanhas que pareciam ter sido direcionadas especificamente para eles. Em um ambiente onde a atenção é disputada segundo a segundo, relevância passou a valer mais do que volume.
O estudo também evidencia como o geotargeting se tornou estratégico para campanhas mobile. A tecnologia, que permite direcionar anúncios com base na localização do usuário, tem aumentado a eficiência da publicidade digital ao conectar ofertas e serviços ao contexto imediato do consumidor. Entre os entrevistados, 21% afirmaram ter se interessado por anúncios relacionados à proximidade de lojas, eventos ou serviços, enquanto 51% demonstraram algum nível de satisfação com campanhas baseadas em geolocalização. A capacidade de impactar pessoas no momento e no lugar certos se tornou uma das ferramentas mais valiosas para marcas que buscam melhorar conversão e performance.
Outro fator decisivo apontado pela pesquisa é o peso das promoções e benefícios financeiros na tomada de decisão. Para 31% dos consumidores, ofertas e descontos foram determinantes para despertar interesse em uma compra. Além disso, 27% destacaram que o contexto adequado da mensagem influenciou diretamente sua percepção sobre a campanha. Na avaliação de Paulo Fernandes, vice-presidente global de ad sales e general manager da Siprocal para a América Latina, o comportamento revela que a chamada “prova social” deixou de ser apenas uma estratégia de branding e passou a ocupar um papel relevante nas ações voltadas para performance e conversão.
Apesar dos avanços, o mercado ainda enfrenta obstáculos importantes relacionados à experiência do usuário em dispositivos móveis. A principal crítica dos consumidores está nos formatos considerados invasivos. Segundo a pesquisa, 53% dos entrevistados rejeitam anúncios que ocupam toda a tela e dificultam o fechamento da publicidade. Outros 34% desaprovam vídeos automáticos e banners que interrompem o uso de aplicativos. Esses dados reforçam a necessidade de desenvolver campanhas menos intrusivas e mais alinhadas à navegação natural do usuário.
A discussão sobre privacidade e uso de dados também permanece no centro das estratégias digitais. Embora exista maior aceitação da personalização, os consumidores seguem atentos à forma como suas informações são coletadas e utilizadas. Para especialistas do setor, o desafio atual não está apenas no acesso aos dados, mas principalmente na capacidade de utilizá-los de maneira ética, segura e dentro das regras de consentimento. Em um cenário cada vez mais regulado, empresas que conseguirem equilibrar inteligência de dados, respeito à privacidade e relevância publicitária terão vantagem competitiva na disputa pela atenção do consumidor.
O avanço da publicidade mobile no Brasil confirma que o futuro das campanhas digitais será cada vez mais orientado por contexto, comportamento e experiência. Em vez de bombardear usuários com anúncios genéricos, as marcas precisarão investir em comunicação personalizada, geolocalização inteligente e formatos menos invasivos para conquistar relevância em um ambiente dominado pelos smartphones.