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Compras com IA vão automatizar pagamentos no Brasil

Agentes inteligentes prometem revolucionar o e-commerce até 2030, com compras autônomas, mais segurança e integração total da jornada do consumidor.

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A prática de acordar no meio da madrugada para garantir passagens aéreas mais baratas está prestes a se tornar obsoleta. Com o avanço da inteligência artificial, agentes autônomos passam a assumir esse papel, sendo capazes de pesquisar preços, identificar as melhores condições e concluir compras de forma independente, enquanto o consumidor sequer precisa estar acordado. Esse movimento faz parte do chamado “comércio agêntico”, uma das principais apostas globais para transformar o e-commerce e o setor de pagamentos.

Projeções da McKinsey & Company indicam que, até 2030, agentes de compras movidos por IA poderão movimentar cerca de US$ 5 trilhões em todo o mundo. O Brasil surge como um dos mercados mais promissores nesse cenário, impulsionado pelo sucesso de soluções como o Pix e pela rápida evolução das fintechs, que consolidaram o país como um ambiente fértil para inovação financeira.

As grandes bandeiras de cartões já estão avançando em testes práticos dessa tecnologia. A Visa realizou, em março, as primeiras transações totalmente conduzidas por agentes de inteligência artificial no Brasil, utilizando cartões emitidos pelo Banco do Brasil e pelo Santander. Nesse modelo, o cliente concede autorização prévia, permitindo que o agente execute a compra de forma autônoma. A segurança é garantida por mecanismos como autenticação avançada e tokenização, que substitui dados sensíveis por códigos únicos.

A movimentação acelerou a competição no setor. Pouco tempo depois, a Mastercard também anunciou testes no país, com operações realizadas por agentes inteligentes utilizando cartões do Itaú Unibanco e do Santander. As transações incluíram desde compras de itens de supermercado até produtos de beleza, demonstrando a versatilidade da tecnologia.

Enquanto isso, a brasileira Elo aposta na integração completa da jornada de compra. Em parceria com a Decolar, a empresa desenvolve um agente de IA capaz de realizar todo o processo de aquisição, desde a busca até o pagamento, diretamente em canais como WhatsApp e chats baseados em grandes modelos de linguagem, incluindo plataformas como ChatGPT e Gemini.

Apesar dos avanços, a adoção em larga escala ainda depende de fatores importantes, como a adesão do varejo e a maturidade tecnológica das instituições financeiras. No curto prazo, a tendência é que soluções mais fechadas, integradas a aplicativos e marketplaces específicos, ganhem espaço mais rapidamente. Já o modelo mais avançado, no qual o agente atua como um intermediário universal capaz de buscar e comprar produtos em qualquer plataforma, ainda enfrenta desafios técnicos e operacionais.

Mesmo assim, o Brasil desponta como protagonista dessa transformação. Pesquisas indicam que a maioria dos consumidores brasileiros já utiliza inteligência artificial para comparar preços e tomar decisões de compra, um comportamento que acelera a aceitação de soluções mais avançadas. Assim como ocorreu com o Pix e os pagamentos por aproximação, a expectativa é de que os agentes autônomos se integrem rapidamente ao cotidiano, redefinindo a forma como as pessoas compram online.

O comércio agêntico não representa apenas uma evolução tecnológica, mas uma mudança estrutural na experiência de consumo. Ao eliminar etapas, reduzir fricções e aumentar a eficiência, essa nova era promete transformar o e-commerce em um ambiente mais inteligente, automatizado e centrado no usuário.

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