Quando o assunto é marketplace, muitos vendedores ainda cometem o mesmo erro: focar exclusivamente em preço como principal diferencial competitivo. No entanto, gigantes como Mercado Livre, Amazon e Magazine Luiza vêm mostrando que essa estratégia, além de limitada, é insustentável no longo prazo.
Durante o VTEX Day 2026, realizado em São Paulo, executivos dessas plataformas compartilharam insights valiosos sobre como sellers podem se destacar em um ambiente cada vez mais competitivo. A principal mensagem foi clara: vender mais não depende apenas de ser o mais barato, mas de entregar uma experiência completa e consistente ao consumidor.
Segundo representantes da Amazon, reduzir preços pode até gerar picos de vendas iniciais, mas dificilmente cria recorrência. O verdadeiro crescimento sustentável vem da conveniência e da capacidade de fidelizar o cliente. Isso envolve fatores como uma navegação eficiente, páginas de produto bem estruturadas, atendimento de qualidade, políticas de frete atrativas e entregas rápidas. Programas como o Prime reforçam essa estratégia ao aumentar o valor percebido e incentivar compras recorrentes.
Já no Mercado Livre, a visão reforça um ponto muitas vezes negligenciado: empatia. Entender que há uma pessoa do outro lado da tela muda completamente a forma como o vendedor constrói sua oferta. Quando o seller se coloca no lugar do consumidor e pensa na experiência ideal, ele naturalmente melhora sua comunicação, suas descrições e seu atendimento. Esse ajuste, embora simples na teoria, exige disciplina na prática.
E é justamente essa disciplina que separa vendedores medianos daqueles que realmente performam bem. Fazer o básico bem feito — com consistência — ainda é um dos maiores diferenciais dentro dos marketplaces. Isso significa cuidar de cada detalhe da jornada de compra, desde imagens de qualidade até prazos confiáveis e pós-venda eficiente. Apesar de parecer óbvio, muitos sellers falham por negligenciar esses fundamentos enquanto tentam estratégias mais complexas.
No entanto, especialistas do Magazine Luiza alertam para outro ponto crítico: não confundir simplicidade com estagnação. Fazer o básico não significa evitar inovação. Pelo contrário, os maiores resultados surgem quando o vendedor também se desafia a adotar soluções mais avançadas, como logística integrada e fulfillment. Embora mais complexas, essas estratégias ampliam a competitividade e aumentam significativamente a capacidade de escala.
O cenário atual dos marketplaces deixa uma lição importante para quem deseja crescer: preço é apenas uma parte da equação. A verdadeira vantagem competitiva está na experiência completa, na consistência operacional e na capacidade de evoluir continuamente. Em um ambiente onde milhares de vendedores disputam atenção, destacar-se exige mais do que descontos — exige estratégia, disciplina e foco no cliente.